O Homem do Corredor
Ela trancou a porta atrás de si e suspirou fundo. Um dia exaustivo, longo demais… e ainda assim, ao atravessar o corredor escuro até o quarto, sentiu aquela sensação estranha. Um arrepio. Uma presença. Um déjà vu quase indecente. As luzes baixas do apartamento pareciam observá-la. Cada passo ecoava como se ela não estivesse sozinha. Como se alguém soubesse exatamente onde ela estava, o ritmo da respiração, o modo como os ombros dela caíam, cansados — vulneráveis. Ao chegar no quarto, parou. A porta estava entreaberta. Mas ela lembrava nitidamente de tê-la fechado. Um frio correu pela espinha. Medo? Não exatamente. Era algo mais profundo, mais quente, mais perigoso. Ela empurrou a porta com cuidado. O quarto estava escuro, mas havia uma sombra sentada na poltrona, imóvel, apenas silhueta e silêncio. O ar ficou denso. Pesado. Quente demais para ser medo. Ela não acendeu a luz. Parte por receio… Parte por desejo. — Você… não devia estar aqui. — ela disse, a voz fal...