O Visitante da Madrugada
Ela acordou com a sensação de não estar sozinha.
Não abriu os olhos de imediato.
Ficou imóvel, respirando devagar, tentando decifrar o som suave — passos? — vindos do corredor.
O coração acelerou, uma mistura de medo e excitação subindo pela pele em ondas quase elétricas.
A porta do quarto estava entreaberta.
Ela não lembrava de tê-la deixado assim.
Um frio percorreu sua coluna quando ouviu o rangido lento, quase imperceptível, do piso.
Alguém estava entrando.
Alguém que não devia estar ali.
Ela continuou deitada de lado, coberta até a cintura, o corpo firme como se ainda sonhasse.
Mas por dentro…
Por dentro ardia.
O colchão afundou atrás dela.
Devagar.
Calculado.
Predatório.
A respiração quente encostou na nuca dela.
E aí — o toque.
Uma mão grande, firme, deslizando pela curva da cintura, descendo até o quadril, segurando, puxando, como se ela fosse propriedade dele.
Ela prendeu o ar.
Não de medo.
De antecipação.
Ele aproximou o corpo, colando-se às costas dela.
O calor dele queimava.
E ela sentiu, claramente, o peso duro e pulsante pressionar-se contra ela por trás, empurrando, exigindo espaço.
O coração dela batia tão forte que quase doía.
A mão dele subiu para o pescoço dela.
Não apertando.
Não machucando.
Mas controlando.
Guiando.
Dizendo sem palavras: não se mexa.
E ela obedeceu.
A respiração dele cresceu, ficou mais pesada, mais quente, mais animal.
Os dedos dele exploraram seu corpo devagar, como se ele tivesse todo o tempo do mundo para decidir o que faria com ela.
Ela mordeu o lábio, lutando para não gemer.
Ele empurrou o corpo contra o dela outra vez, mais forte.
E ela cedeu.
Sem abrir os olhos.
Sem virar o rosto.
Sem pedir.
Permitindo-se sentir tudo — a invasão, o perigo, o poder sobre ela.
Ele inclinou o rosto até tocar o ouvido dela com a boca.
E então…
— Você está muito quieta, princesa… — a voz grave sussurrou, cheia de domínio. — Tem certeza de que quer continuar?
Ela sorriu.
Um sorriso lento, lânguido, que só ele poderia ver naquela penumbra.
— Palavra de segurança? — ela respondeu, baixinho.
— A mesma de sempre. — ele confirmou, mordendo de leve a orelha dela.
Ela afastou o quadril para trás, oferecendo-se por inteiro, corpo quente, pele arrepiada, desejo líquido correndo pelas pernas.
— Então não pare.
Ele agarrou sua cintura com força e puxou, o corpo dele encaixando-se como se esperasse por aquilo a noite inteira.
A tensão no ar deixou de ser ameaça.
Virou pura fome.
Consciência.
Entrega.
Porque aquilo — aquela invasão, aquela intensidade, aquele “quase proibido” — era deles.
Planejado.
Desejado.
Repetido todas as sextas, quando o mundo dormia e eles se permitiam existir sem limites.
Essa era a regra silenciosa entre eles:
ele a tomava como se não tivesse direito…
e ela o recebia como se estivesse implorando.
E enquanto ele começava a mover o corpo contra o dela, quente, firme, incontrolável, ela percebeu que já esperava pela próxima madrugada.
Pelo próximo passo.
Pelo próximo limite.
O jogo deles estava longe de acabar.
E cada invasão parecia só o começo.
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