Entre Sombras e Silêncios - Parte II
O silêncio depois do toque era quase um personagem à parte. Nenhum dos dois ousava falar — talvez por medo de quebrar o feitiço, talvez por entender que o desejo, às vezes, fala melhor quando é silêncio. Ela ainda sentia o eco do que não devia ter acontecido — o calor na pele, o ar suspenso. Ele, imóvel por um instante, observava-a como quem sabe que já foi longe demais, mas que não consegue recuar. Os olhares se encontraram por um segundo que pareceu uma eternidade. Foi o tipo de instante em que o ar pesa, em que tudo dentro do corpo quer explodir, mas o mundo lá fora exige contenção. Ela engoliu em seco, o coração acelerado demais para alguém que ainda tentava se convencer de que não era desejo o que queimava em suas veias. Ele deu um passo à frente — não o suficiente para tocá-la, mas o bastante para que ela sentisse o calor do corpo dele, o cheiro que ainda carregava vestígios de ousadia. Ela desviou o olhar, mas o fez tarde demais. Já estava entregue ao que fingia...